the land of confusion

d.t.i.m.m


dead visions in your name. dead fingers in my veins. dead memories in my heart.

«do you remember the time gone?»


Do you remeber when you used to be play guitar and sing for me?
I remember. Hardly remember, like was yesterday.

verdade oculta em mim


Prescindi de levar os brincos que me ofereceste.

Ainda a meu lado estavas tu, quando da cama me levantei e na minha firme silhueta zizazeguiei de um lado para o outro, e tu na cama te envolvias pelos lençóis, num sonho tão profundo quanto o oceano mas desta vez era diferente... nesse teu sonho eu não subi ao palco. Não porque não me elegesses como protagonista principal ao teu lado, mas simplesmente porque me recusei.
Por que o fiz não sei.
Embebida nos meus pensamentos, perdi-me em devaneios que outrora matavam-me a fome que um dia senti por ti. Mas a questão é, porque é que todas as noites acordo e derivo no nosso quarto, estando tu ausente... tão presente nesse teu sono insolente que sempre criou um dos impasses face ao nosso sentimento?
Recuso-me a pensar, que tudo fora em vão - pálida e rígida, do frio que penetrava agora pela janela entreaberta - levantei-me da beira da nossa cama, vesti uma das tuas camisolas, que por sinal ficavam grandes na minha estatura minúscula quando comparada com a tua. Fechei-a. Mas não pude deixar de reparar, que lá fora chovia.
Era triste, como toda a névoa exterior assaltava-me agora, o meu interior.
Sentei-me novamente, aconcheguei os braços às minhas pernas arrepiadas e olhei o teu rosto minuciosamente.
Como continuavas a ser belo na tua condição, adormecido a viajar. Por onde não sei, mas sei que na minha companhia não era. Recordava, quando no teu rosto me foquei, todas as circunstâncias por que passamos, todas as lutas que travamos, todas as vitórias que conquistamos e o amor que nutríamos um pelo outro...
"In my place, In my place"...
Interrompi-me, atónita. De onde veio isto?
"Come back to me... come back now"...
Perplexa fechei os olhos e mentalmente ouvia toda a melodia.
Afastei-me daquele lugar. Trazia-me uma espécie de melancolia impregnada na ferida encostada ao meu peito. Na luz terna, na luz suave, avistava-te. Acordado, ao longe, tão longe que quase os meus olhos não te alcançavam. Deslizei as minhas mãos procurando as tuas... procurando as respostas que, de nenhuma maneira, as obtive.
Num movimento em câmara lenta, abri outra vez os olhos. E ali continuavas tu, deitado na nossa cama sorrindo no teu sonho longe de perceberes todas as minhas noites em claro.
No fim de tantas corridas sem alcançar metas, o sol rompeu pela minha janela a dentro. Iluminando o mínimo pormenor escondido por entre os meus artefactos, arrumados ou desarrumados. Entretanto... caí em mim. Era manhã e a palavra "nós", os termos conjuntos, os pronomes que enunciavam um plural desapareceram. No meu quarto, apenas me encontrava eu, as minhas coisas, os meus sonhos, as minhas ilusões, as minhas perdas, as minhas desilusões e um desconhecido com quem dormi, apenas por uma noite.

...


- "Por que é que me obrigaste a vir para cá? Para que eu pudesse ver-te morrer?"
- "Não, minha querida. É precisamente o contrário. Quis que viesses para te poder ver viver."

in, «a melodia do adeus» de Nicholas Sparks

disgrace

"It's funny when things go wrong."
Delicio-me ao saber, que não sou a única a sofrer destes males mundanos. Aquenta-me o cérebro, faz com que esta maquinaria cá dentro trabalhe. Faz-me sentir parte da raça humana... o pior é quando a consciência apela-me ao ouvido e diz que isto se chama maldade.

just breath

*


Quando não se está bem, quando se vê tudo negro, quando não se tem futuro, quando não se tem nada a perder, quando… cada instante é um peso enorme, insustentável. E suspiramos sem parar. E queremos libertar-nos disso seja como for. De qualquer maneira. Da maneira mais simples, da mais cobarde, sem adiar para amanhã este pensamento: ele não está cá. Nunca mais estará. E nessa altura, simplesmente, também eu não quero estar. Desaparecer.

(adptado de «(...)ela não está cá. Nunca mais estará. E nessa altura, simplesmente, também nós não queremos estar.», in "Quero-te Muito" de Federico Moccia)

o olheiro


"A vida vai torta
Jamais se endireita
O azar persegue
Esconde-se à espreita"


Não será, a minha realidade a mesma que a tua?

believe


Neste natal, jurei para mim mesma que não iria desejar-te novamente, pois a tua indiferença é fel nos meus lábios, amargo e agreste como o frio e a chuva unidos contra o chão que se passeia debaixo dos nossos pés.
Custou-me, mas este foi o meu desejo de natal. Não te desejei a ti, e não desejei ninguém mais. Apenas pedi consolo e alguma compreensão, pois faz tempo em que não me sinto valorizada nem ouvida, respeitada nem sequer amada. Faz dor, quando encostadas ao peito, as memórias estão e inundam-me a cara de lágrimas. Mas já chega de passar por estes tormentos amorosos e pouco egocêntricos, que instalam o desespero em mim. Quero que a indiferença finalmente se compacte comigo, e me ajude a agir da forma mais radical e correcta. É tempo de remodelação interior, rasgar os véus tecidos de ciúme e impaciência, de levantar a poeira nostálgica instalada por cima do meu tenro coração, sacudir a nostalgia da minha mente e renascer em mim mesma, como se nunca antes povoasses o meu ser. Sim, renascerei novamente e renascerei quantas vezes forem possíveis, para que seja feliz.
A felicidade é possível e não depende de um estado de espírito, depende dos momentos, das pessoas, das lágrimas e da luta constante, depende dos abraços que nos deram e do beijo que há muito esperamos. É feita de viagens irreais, de reais e de viagens no tempo. A felicidade é a ponte entre o senso comum e o nosso próprio bom senso, está a um olhar de distância onde se consomem grandes paixões, onde se construem grandes amizades, mas está também na ilusão, na desilusão e na falsidade com que aprendemos, pois os nossos olhos concâvos às circunstâncias arriscam a ver para além do que realmente se vê.
Por isso, neste natal, aprendi a valorizar outro tipo de coisas, deixei a futilidade de lado, deixei de ser abarcada pelo meu ego insolente, deixei de alimentar sentimentos como a solidão e carência e resolvi, acreditar que algo de melhor está para vir. Acreditar, sim. É a palavra que há muito procurava, neste extenso comentário que teci por outras palavras obra da minha engenhosa mente.

mais um


É estúpido haver uma época no ano, apenas uma, em que se deseja o melhor para todos, onde a família é valorizada e a reunião dos seus membros é algo muito feliz e bonito. Para mim é uma situação rídicula. Natal é todos os dias, em todos os corações, até nos adormecidos.
Mas, contudo, desejo um feliz natal com tudo do melhor para todos os que lêem este blog.
um beijinho, a autora: Soraya Morais.

and my reality...


...is waiting for you. Waitting for a miracle.

presa, irremediavelmente, a ti


Vagueio na rua dos teus pensamentos, invadida pelos teus sentidos. Sinto-me perdida entre tantos devaneios que deslizam como seda, na pele fria que jaz no planalto do sonho remoto que um dia sonhamos juntos.
Inocente criatura que me persegue, no dia chuvoso que insiste em assombrar-me com memórias de tempos verdes que floriam na dura calçada. Como era bom, poder novamente atravessar, junto de ti, no areal que percorre a costa rochosa. Assistir à glória do véu lunar devorar aos poucos o raiar luminoso deste sol que desenhaste tão jubilosamente comigo.
Hoje olho as estrelas, incompleta na minha razão de ser. Já não fluí a escrita como antes fluía. As palavras tornaram-se inconsistentes, a tinta tornou-se dura, tão dura como a dor da perda. O sol já não nasce, da forma milagrosa com que nascia, a lua não passa nem um quarto da magia que transmitia, quando na noite escura me vinhas puxar o lençol e ficavas, impávido e sereno a observar o meu sono. Somente a observares-me atentamente, enquanto em ti sonhava. Ali estava eu, no meu sono princesa, a observar a tua realeza a observares-me, como se a tua vida disso dependesse.
Espessa é a barreira, que o firmamento criou entre nós, nas púrpuras mensagens lineares implícitas por entre desejos e véus de ternura, que não passam somente disso. Doces desejos tecidos na alma de quem ninguém é sem se ser sem ti.
É uma realidade instransponível e indicifrável, este amor proibido que prolifera somente na região norte deste morto coração, que bate letalmente ao pensar na tua pessoa. Naquela tão bela figura que continua a planar no halo do tempo, por entre criações imagéticas criadas no além.
Somente gélida arrefeço em nada, na terra de ninguém sobreposta à falsa realidade que paralelamente alimento ao lembrar-me do amor morto por ti. Um punhal bastou, para cessar o calor que deste gélido coração processou, por tanto amar penou.
Ardo de saber, que na tua frieza indiferente, não passei de semente no chão, de onde nada brotou. Condicionaste-me da maneira de que hoje sou, feita de limites e percepções. Longe de mim ser, o que sempre fui, desejo imanente que só por sim é desejo, daí não passa, infelizmente, nunca mais passará. Amargo paladar que me deixaste, sem sequer me devolveres a parte da alma que crucificaste em ti. Fui somente, um anexo, por entre muitos outros anexos.
O teu rosto persegue-me, no vale do mundo, quando sozinha me encontro. O teu rosto de mil e uma facetas, todas elas mistificadas para sempre. Pois nunca ganhei a aptidão suficiente, para te dissolver e descobrir quem tu, realemnte eras. Um jogo sem vitória. Um completo trajecto sem destino. Por aí me fiquei. Perdida sem destino, presa no teu destino. Confusão que me embala, quando forte as lembranças tuas me abarcam e me trazem no abismo fundo que é um dia eu ter-te amado, da platónica maneira que te amei.

miserable eyes

Nostálgica te lembro, como nos olhos me olhavas. A sinceridade que me transmitias no calor do teu abraço.
O desassossego que se instalou, quando no último dia, adeus não me disseste.

lição: "como viver sem ti."


Completa, completamente eterna, na efemeridade do tudo, terminei de nascer, na promiscuidade do teu sonho incompleto, na versão mais horrenda do drama que enigmaticamente se abale conscientemente no meu inconsciente.
Aquando, no infeliz dia, tomei a decisão de feliz ser completa na entrega total à minuciosidade e minimalidade das coisas. Se me lembro, quando voar era um sonho para mim, no qual sonhava o impossível, e a impossibilidade do impossível idealizar na minha mente, o impossível era real e em dimensão extra.
Remexendo por entre "a gaveta da alegria, cheia de estar vazia", encontrei a razão pela qual sempre lutei: a utopia de saber que o chega, chega sempre por alguma razão.
Com o mal que aprendeste, ensinaste-me a viver a vida. Com o seu sabor salgado e agreste, perdendo o paladar de agridoce, que era tocar o invísivel.
Hoje sou, a estátua do jardim, à espera do milagre de ganhar vida, de rodopiar em círculos e colher as flores doces da tua terra. Palpando a relva repleta de cristal, orvalho, onde uma vez me levaste lá. Uma das vezes, pelo passeio do firmamamento luminoso, numa noite sem lua. Onde realmente o mundo nos pertencia, em que o moldávamos e o mudávamos, e pergunto-te agora para onde levaste o sol que por cima de mim brilhava e me dava a coragem suficiente de aguentar o destino.

não és, nem nunca mais serás


A sensação de te sentir correr como um rio, sem destino, sem direcção. Na tua margem, atiro-me sem medo, sei que nas tuas águas me refugiarei para que, quando a coragem me assombre, possa saír de ti, como quem renasce, como quem vive uma outra vez.
Do teu rio, saí, pé ante pé, e segui para a floresta proibida da tua mente. Estava escuro.
Escuro, como nunca antes havia estado, e eu ali, perdida no arremeço da tua indiferença, quando por ti escrevia todas as linhas que escrevi. Docemente, te tocava o rosto e pedia carinho.
Mas... tudo mudou. Agora, procuro-te enlouquecedoramente, no local onde te perdi. No labírito do meu corpo, procuro o teu suor, o teu toque, a tua doçura. Mas até isso tu me levaste, as recordações boas que de ti tinha, sem pudor, na total indiferença.
Hoje, o meu céu é outro. Enquanto em ti chovo, à espera da reacção em ti provocar, o meu sol brilhará em outra povoação, pois emergi na felicidade momentanêa dentro da solidão, onde pensei que nunca pudesse ser feliz. Apenas existe a falta. A falta de algo... e esse algo, podes ter a certeza que não és nem serás tu.

Desafio!


Estava de passagem pelo blogue http://in-this-silencee.blogspot.com/ quando li o post que dizia "desafio". Após saber do que se tratava, achei interessante e decidi participar.

"Cada bloguista participante tem de enunciar 5 manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher 5 outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogues aviso do recrutamento. Cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blogue."

Então cá vai:

- Sou alucinada por roupa/acessórios com padrão leopardo. Cada vez que vejo alguma coisa com este padrão, compro.
- O meu telemóvel é indispensável no meu dia, se o deixo em casa volto para trás, independentemente de qualquer compromisso.
- Gosto de ser fotografada, adoro.
- Ando sempre com uma carteirinha na mala, onde guardo, as pequenas recordações, e com fotografias da minha família e amigos.
- Compro um maço de tabaco por dia, mas vou intrecalando de dia para dia, Marlboro Light com Marlboro Advanced Gold.

E eu passo o desafio:

http://dustofaclosedbook.blogspot.com/
http://amarelolima.blogspot.com/
http://suordeumrosto.blogspot.com/
http://saksfifth-avenue.blogspot.com/
http://the-ocean-blue.blogspot.com
Vá, I want to know your secrets!

ramboíaa


Sabem que mais? Dia 13 de Fevereiro de 2010, às 12.00h estarei a embarcar para o airbus 310 da White, um charter, directinho para Cuba. Onde vou partir e cagar alte cenário com as minhas pitas e os meus putos durante 7 preciosos dias.
À POIS É!
Agora digo tal e qual como tu minha Margarida: "VAMOOOOS para Cubaaaa putos!" E quando a Garcia ler isto vai dizer: "SABÉEEEES!" certo? (almost minha gente, vos amo.)

«porquê hoje?»


Porque é que hoje, decidiste invadir-me o espírito e perturbares-me a alma? Despertares todos os meus demónios interiores e dilacerares-me aos poucos, sendo tu o espectador atento, à espera de veres a luz a escapar dos meus olhos.
Mas não, não é isso que pretendes. Pretendes acompanhar-me nostalgicamente, fazendo-me viajar pelas terras que um dia descobrimos juntos. Sim, ousas mostrar-me o tempo em que as nossas mãos de prendiam como correntes indestrutiveis, de como ingenuamente sorriamos quando passeavamos à beira mar, a ver um delicioso por do sol.
Espero... que no meio da noite, não tentes sequer, invadir a minha cama, onde já me agonia o teu cheiro. Tanto me agonia, como me encanta e desperta. Estou farta desta luta, sem vencedores. Se queres a minha alma, já a tens. Há muito tempo que a tens. Apenas ainda não o sabes, e por mim, nunca o saberás.

«onde estás e porque é que ainda não apareceste?»


Prefiro dizer que o homem da minha vida é feito de cinco cordas, de tons graves semelhantes a um baixo. Para que nele, somente eu o possa tocar, tão lentamente, tão fortemente, quanto prazer me dará tocar-lhe, para que o meu coração deixe de vacilar e me prenda a melodia do momento. Dedilho-o como o instrumento fosse a minha vida, de facto será, quando nele tocar o que nunca antes tocaram, será o baixo do meu peito, música do meu mundo, que embalar-me-á à luz fosca do candeeiro do quarto alugado à beira da estrada.
Seremos felizes, eu e ele, ao som próprio da nossa música.
(I'm still waiting for him. Yes, he is real.)

disarm

"Disarm you with a smile."

words, can't do speak for this moment


- "Onde estás?"
- Em casa, sozinha e doente.
- "Fui ao portão da tua escola, exactamente quando tocou às 11.50h para te poder dar um beijo de bom dia e vi saír toda a gente menos tu. Não me atendias o telemóvel, não atendias o telefone de casa e eu entrei num estado de nervos impossível de acalmar."
- Não te preocupes, já sabes onde estou e como estou. Relaxa.
- "É impossível de relaxar, não achas? Tu aí deitada, e ainda para mais sozinha! E se te acontecesse alguma coisa? Que faria eu? Explicas-me?"
- Príncipe, não é nada de grave, é só uma constipação fácil de curar.
- "Queres que passe por aí?"
- Para quê? Para te pegar e depois passamos a ser o casal 'lenços de papel' e eu... recuso-me a usar essa etiqueta.
- "És mesmo parva! Eu quero lá saber se me etiquetam com o qualquer que seja, a única coisa que me deixa feliz, é ver o bem que te faço e o sorriso que plantas no teu rosto quando te tenho nos braços. Coisa, que já não troco por nada, mas mesmo nada!"
- Vem depressa então! O quão depressa conseguires, para que num estalar de dedos estejas bem do meu lado, para que aconchegue a minha cabeça no teu peito e claro... que me dês daquelas massagens que só tu és perito em dar, para acalmar as minhas costas ainda doridas da noite de sábado.
- "A tua sorte, nessa noite, é teres estado demasiado bem, demasiado nas nuvens, demasiado feliz e demasiado ocupada a deslumbrares com aqueles movimentos todos que tu lá gostas. Nada me deu mais prazer, que ver-te fazer o que mais gostas."
- Desculpa se me descuidei de ti pequenino.
- "Nada disso. Apesar de tudo, nunca te larguei. As minhas mãos nem descolaram de perto de ti!"
- Onde estás?
- "Exactamente na marginal, junto ao forte. Quase a chegar aos sinais chatos."
- Estás de carro, certo? Está demasiado frio. Não te quero por aí de corpo bem feito, montado na tua "menina" de duas rodas.
- "Sim, estou no fiat preto, o meu carro foi ontem para a oficina. Larguei lá, ainda um bom dinheiro. Só me dão prejuízo estas maquinas!"
- Sim, sim, sim. Amor, despacha-te!
- "Olha lá ó pita, não me apresses, sabes que estou a desprezar imensas regras e se sou apanhado pela polícia estou bem lixado."
- Calate parvo, sei que o que fazes não te custa nada. Tu gostas!
- "Deixa de ser convencida pirilampa! Mas vá, tens certa razão. Estou ansioso para chegar perto de ti."
- Amo-te, sabias?
- "Não mais que eu minha pequena flor."
- És mesmo real?
- "Sou, e já estou à tua porta, com as chaves em punho."

(A maçaneta da porta rodou e lá estava ele, sempre cortês, com o seu estilo rebelde, despenteado e com um lenço cinzento ao pescoço, as calças descaídas tal e qual como eu gosto, o cinto castanho e a camisola de algodão escura, com o seu relógio em cabedal castanho sem esquecer a pulseira no outro pulso, que lhe ofereci o mês passado. E como, se tratasse da primeira vez, lá estava ele, com uma rosa nua, branca, tal e qual como a minha pele.)

(Ele abraçou-me e no momento, senti-me no topo do mundo. Tal como todas as vezes quando ele me leva a planar, quando me beija e me deixa sem fôlego. Se é ele? Se não for ele, então não é mais ninguém.)

«where are you?»


Onde mais eu poderia estar, se tu estás mesmo aqui?

when you're a strange


People are strange when you're a stranger,
Faces look ugly when you're alone.
Women seem wicked when you're unwanted,
Streets are uneven when you're down.

When you're strange
Faces come out of the rain.
When you're strange
No one remembers your name
When you're strange (...)

capricho


Soube o que é sentir-me em casa e deixar de ser o alvo da multidão. Fiz o que no momento me invadio o corpo e a mente, rodei em circulos, desenhei trajetórias aleatórias e descoordenadas, aliadas a efeitos psicotrópicos. Não parei a noite toda, a tarde toda.
Balancei os cabelos ao som do que mais gosto, a sentir a adrenalina nas minhas veias e a deixar-me ir pelo ambiente e pelo som que me consumia cada alveolo pulmonar. Senti o baixo a pronunciar-se no meu coração. dum-dum-dum; no meio da alucinação toda, perdi todo o juizo e o controlo que regia em mim há muito. Beijei-te. E nesse momento percebi, que nunca mais te quero na minha vida. Foi um capricho... e adorei.

we're going through changes


"Na incerteza de saber o que fazer, o que querer,
Mesmo sem nunca pensar, que um dia vais pensar...
Não há outro que conhece tudo o que acontece em mim!"

Em todos os rostos, vejo o que há muito tempo perdi. Em cada sorriso, renasce a alegria, que em tempos me deste e que novamente me dás, mesmo sem saberes, mesmo negando-te como sempre acontece. O conforto que nos teus braços encontro, no silêncio em que o fumo vai bailando junto das nossas bocas, que interpela tudo o que o coração quer dizer.
Mas o sentimento é repartido, dividido e sentido de maneiras diferentes, circunstâncias e lugares diferentes.
Apesar de tudo, de termos estado sempre no mesmo lugar, tu mudaste... mas eu também e ao contrário de ti, para melhor.

insane. right to insane. insane


Devastada pela própria mente, encontro-me a desfalecer em pensamentos cada vez mais atónitos, obtusos e abstractos, latejantes quando a melancolia os apura e leva ao assassínio da ínfima felicidade que por momentos existiu. A enlouquecer. De facto. Estou a enlouquecer.

desgosto


Que desassossego gigante é este, que se alastrou em mim, apagou toda a calma que apaziguava este mar de interrogações que novamente ressurgiu.
Pergunto-me... o que poderei fazer, para desinstalar este pânico alojado junto à encosta da perplexidade e do choque, entranhados na minha mente como poços do nada cheios de tudo um pouco. A apatia assombrou-me o ser, pondo de parte as emoções, fiquei tão seca, incapaz de fazer com que algo renasça. O vazio alastrou-se como uma doença, pelo meu corpo e subconsciente.
Sonho com nada, falo de silêncio e penso sem incoerência ou raciocínio. Sou um farol que em tempos deu luz, hoje somente sou monumento plantado junto à praia à espera que alguém chore por mim.

can't find a better man


Como pude, ingenua e indelicada, ceder às vozes que dilaceravam este pequeno coração, que com tanto amor amou sem nada mais ver senão amar. Frágil e sedenta, promovida pelo jogo do meu destino caí no terrível erro de te ver, meu amor, deitado ali a dormir. Tal como psique, ingénua, ao ver o teu rosto te perdi para sempre meu amor. E assim foi, para sempre, ele partiu.

(my child)


No word. No soul. No angels here, only disease and fear. Go away my child, this world is full of sin, isn't a good place for you. Please, please... go away my beautiful until it crashing around you. Please, grow up and make it better. A better place for live. A better place to love.

diário de um toxicodependente


Olá, eu sou o Tiago
E gasto tudo o que tenho na droga…
Quero ver se poupo uns guitos,
Mas ‘tá escasso e nunca sobra.

Comecei com o tabaco
Ainda nem tinha entrado para a escola,
Dantes ia lá pa passar o ano
Agora é só pa pedir esmola.

Ficaram as marcas do vício:
Ficou para trás a matemática,
Filtros são pontas de livros
De psicologia e de gramática.

A junção da bebida e do fumo
Agradava-me portanto tornei-a diária:
Passei a ter uma mente mais perversa
Mais violenta, mais primária.

Começo a sair mais com os putos,
A fumar coisas mais sérias:
Começo a ter as minhas trips
E a contaminar as minhas artérias.

Começo a ver um novo mundo
E a ir a festivais,
A conhecer novas sensações,
Comprimidos e locais.

Novos spots trazem novas pessoas
E estas trazem novas mocas,
Que, por sua vez, trazem euforia
E atitudes mais porcas.

Sinto-me abandonado:
Nunca mais ‘tive com a minha dama…
Os sentimentos são complicados,
O meu coração não passa de lama!

Uma ganza puxava sempre outra,
O pessoal dizia-me que ‘tava a abusar:
Mas se é p’ra ver este mundo de merda,
Mais vale dar em tudo o que posso dar.

Torna-se um ciclo vicioso:
Solto a cabeça no tampo da mesa
À espera que a (puta da) sorte se deixe de merdas
E que, duma vez, apareça.

A insanidade seca-me por dentro
E paralisa-me a cabeça:
Encosto-me ao canto do quarto
E rezo só para que amanheça.

Via as cenas mais belas:
Havia mais harmonia.
Em todo o lado havia música
E era tão pura que me fazia

Querer ouvi-la todo o dia
Sentia-me mais forte e capaz,
Mais criativo e bem-disposto,
Mais importante e eficaz.
(mentira)


Via sempre tudo à roda
Ou não via nada, de facto,
Enquanto a pestana se alastrava
Ia perdendo o meu tacto.

A ressaca é fodida:
A escola da vida é para aprendizes;
Mas não tivesse entrado neste mundo
Não teria estas cicatrizes.

Não teria experiência de vida
Não teria fama de agarrado,
Mas se o não tivesse sido,
(Provavelmente) Já me tinha suicidado.

Pouco tardou até desviar
Guita das contas dos meus pais,
Para poder gastar em dívidas
E em substâncias ilegais.

O mercado é variado
E há sempre novidades,
Além disso sinto-me mal e já não controlo
Os meus distúrbios alimentares.

Orientaram-me branca,
É uma nova porta que s’abre:
“Ou experimento ou paro de vez”
-Desperdiço mais uma oportunidade!

Já tremo, gaguejo e coxeio
E julgo que isto é só o início:
Tornei-me pó, sangue e violência
E tudo isto por causa do vício.

Torna-se um ciclo vicioso:
Rolo os dados no tampo da mesa
À espera que a (puta da) sorte se deixe de merdas
E que, duma vez, apareça.

O frio seca-me por dentro
E paralisa-me a cabeça:
Encosto-me aos sacos dos contentores
E rezo só para que amanheça.

Perdi a alma e a cabeça,
Deixei de ser um homem livre:
Sou completamente limitado
Pela necessidade de consumir.

Já vi passar muitas neves,
Já vi passar muitas linhas,
Neste momento olho para as filhas
Que outrora disse serem minhas…

Dantes achava graça
A sufocar-me em coca e alcatrão,
Hoje já não acho tanta piada:
Tenho o corpo em sangue e perdi um pulmão.

Mas não me fiquei por isto,
Procurei novas vertentes:
Novas pastilhas, novas visões,
Novos ácidos e andamentos.

Dizem que não racionalizo,
Mas percebo bem o que se passa:
Percebo que ’tou farto de dormir
Do lado de fora da casa!

De comer a mesma merda
Que os gatos da rua comem,
De perder, cada vez mais,
A noção do que é ser homem.

Por favor, não se preocupem,
Eu estou bem: estou acordado!
Nada posso contra as insónias
Que me têm dilacerado!

Tenho os braços dormentes,
A pulsação a aumentar,
Levanto a manga da camisa:
Não há mais por onde picar.

Nas pernas não posso:
Tenho a pele toda rasgada;
No pescoço também não:
Ainda tenho a veia infectada.

Torna-se um ciclo vicioso:
E já há muito que nem tenho mesa.
Tou à espera que a sorte se deixe de merdas
Mas duvido que ela apareça.

O desespero mata-me por dentro
E paralisa-me a cabeça:
Encosto-me ao passeio da rua
E rezo só para que amanheça.

Gastei tudo aquilo que tinha
A tentar cobrir apostas;
Não me lembro de caras amigas,
Hoje já todos me viraram costas.

A minha miúda diz que não me reconhece
E que nunca percebeu por que me espeto;
E grita-me que já estava farta de ser roubada
Sobre o conforto do próprio tecto!

Mas agora não resta nada,
Nem uma foto em tons de sépia:
Nem uma recordação ou alegria,
Nem uma unha: não resta népia.

Tsc! Hoje não pude sequer fechar uma,
Porque não tinha:
Fui à Baixa cravar uns nights
Para me afogar em nicotina.

Mas a crise afecta todos
E não ligam a problemas alheios.
-Estou cansado e subnutrido
E alimento-me de devaneios!-

Nem a ponta dum cigarro
São capazes de oferecer:
Ou me ignoram, ou “é o último”,
Ou então desatam-me a bater!

Mas que mal fiz eu ao mundo?
Porque é que ninguém me respeita?
É por não ter roupa, andar descalço,
Ou por não ter a barba feita?

Ir para reabilitação?
(Pff) já ninguém se importa!
Sempre que me tento reintegrar
Passo por alvo de chacota.

É porque falo sozinho?
É porque falo sem nexo?
Deixem-me apodrecer em paz
É a única merda que vos peço!

Torna-se um ciclo vicioso:
Vir mais um copo do tampo da mesa
À espera que a (puta da) sorte se deixe de merdas
E que, por favor, apareça.

A fome rasga-me por dentro
E paralisa-me a cabeça:
Encosto-me as ombreiras dos cafés
E rezo só para que amanheça.

Atrevem-se a gozar
Quando um gajo consome ou se pica?!
Podem crer que não é a droga:
É a vossa doença que me frita!

Sinto-me tão sozinho…
- E nunca mais tiveste uma rata!
Quem disse isso? -Eu não fui!
Eu também não, não disse nada!

Eu ouço vozes e morro de fome,
Vocês matam-se uns aos outros para terem pão!
Essa doença está convosco:
Comigo só está a maldição.

Vêm à superfície os tiques nervosos.
E os meus medos mais bem escondidos.
A alma foi vendida
E com ela os meus sentidos!...

Não aguento esta dor:
Sinto o crânio a rachar,
Gritos ecoam-me no cérebro:
Fazem-me cair e vomitar!

É frustrante o modo de vida
A que isto me obriga…
O pior ainda é ver a seringa
E a mísera relação que nos liga!

Tornou-se um horário, um cronómetro,
Uma autêntica obsessão;
Tornou-se um modo de estar, um modo de ver:
-A minha alucinação!

É impressão minha
Ou o que vejo à frente é uma poça água?
Afinal não passa de cuspo
Que reflecte a minha cara.

Consegui perder tudo
E estragar uma vida decente!
Já só escrevia frases soltas:
Diário de um toxicodependente.

Já não me consigo mexer,
Já não consigo fazer nada:
Não consigo parar de tremer
E tenho as pupilas estilhaçadas.

Não há pensamento que tenha
Que não me esteja a torturar:
À minha frente vejo a arma
Que tinha acabado de carregar.

Encosto o cano ao olho:
Desesperado, procuro o meu futuro.
Desprendo o gatilho, nada vejo…

BUM!(tiro)

E finalmente fez-se escuro.


Catarina Garcia

forbidden fruit


Como te posso sentir sem nunca antes te ter tocado e ter a sensação de te ter, se nunca te toquei?
Questões e pondero seriamente na minha mente. Penso em ti, sem quaisquer memórias tuas... será que devo? És tudo para mim. Será que existes?

"uma vez, num sonho"


Ó como te vi, pairando no ar como se não houvesse gravidade. Os meus olhos desviaram a sua órbita rotineira e detalharam ao pormenor quem tu eras.
Passaste e sorriste. Sorriste, como jamais havias sorrido para alguém. Deambulaste sem sentido, e de forma discreta tornaste a olhar-me. "Senhora/menina" perguntavas-te a ti mesmo, em tom coloquial e meio esquizofrénico. Preenchi-te de dúvidas, declarei-me com o meu olhar. Tropeçaste e coraste.
Despiste o casaco, uma manga após outra. Ajeitaste as calças e o cinto. Levantei-me e divaguei um pouco. Seguiste-me. Olhei-te, provocando-te (como nunca antes havias sido provocado) de modo a que me seguisses. Pisquei-te o olho, tornaste a tropeçar.
Num ápice surpreendente, virei-me para ti e caminhei na tua direcção, ajeitas-te a gola da camisola, um suor frio atravessou-te a pele como um choque eléctrico. Pousei-te a mão no peito e perguntei-te clara e objectivamente porque me seguias, e desajeitadamente tornaste o teu discurso redundante e nada dizias. Voltei a perguntar-te, desta vez, mais calma, mas na mesma determinante a querer saber a resposta entalada no teu peito.
Descalcei suavemente os meus saltos, com uma mão segura no seu ombro, fingi o desequilíbrio para que nos seus braços ele me amparasse. Quando se apercebeu do esquema, corou uma mais vez.
ainda não obtive a minha resposta, determinada perguntei-lhe se ele se importava se eu lhe roubasse algo.
Perplexo e pestanejante, perguntou-me no seu tom masculino ingénuo: "roubar?"
Sim!
Não lhe permiti qualquer contra-argumento. Foquei os seus lábios, beijei-o como nunca antes mais, alguém o havia beijado. Depois da acção ele olhou-me nos olhos com as suas mãos nas minhas "porfavor, diz-me que não o acabaste de fazer". Fiz.
Atónito de êxtase, tomou-me nos seus braços e levou-me para longe dali. Nem queria acreditar.

(...)

-Desculpa, tens lume?
-"Sim, tenho... toma."
-Obrigado!
-"Olha, desculpa..."
-Sim?
-"Eu já te conheço... uma vez, num sonho."

even everything... you still belive in me


Quando sorrateiramente, por trás de mim te encontras, surpresa me fazes quando em plenas mãos trazes, não mais que a afeição que por mim nutres a longo prazo. como é bom que essa persistência em ti não desvaneça, mesmo te revelando uma péssima actriz em palco, apesar de todas as teias de desilusão que teci para ti... tu nunca deixaste de acreditar em mim.
De sorriso no rosto, meigo e quente, te abraço e prometo que "nunca mais te largo meu parvo".

assembleia geral


"Na amizade a matemática faz sempre sentido: o teu problema é o meu problema, por isso... a gente divide?"

the right way


Se não soubesse o que escrever, escreveria na mesma, pois nas entrelinhas que captei fotograficamente entre o meu olhar e o teu, bastaram para escrever uma imensa saga cheia de acção e romance. Tudo isto basta, para determinar quanto distantes estamos um do outro, e mesmo assim tão perto, como a ar que respiramos sem ver, que nos inflama a pele e nos faz ressurgir um no outro, como o nascer de uma tarde de Primavera em pleno Outono.
Por vezes, é preciso sentir a dor e o remorso, para que tudo magicamente se construa da melhor maneira. Basta isso. Só isso.

we are. we are. we are one

We are one. For all. Forever.

once again. alone.


Por minha vontade, sem vergonha te agarraria as feições e atracava-as junto das minhas, de modo a negar a fuga possível, e determinadamente, chegar a ti, num gesto tão rápido e tão profundo como um beijo derretido nas nossas bocas sedentas por algo mais.
Alguma vez, pudeste extasiar-te, com a alucinação forte de quem ama só por amar?
Não respondas, eu mostro-te.
Conduzo as tuas mãos, em torno da minha silhueta, bailamos ao som do silêncio que se fez no quarto escuro, o compasso é o mesmo, o ritmo muda em gradação do baixo que escutamos invisivelmente no espectro da nossa mente. Com os meus olhos, dispo-te, tal como as sílabas que produzo na minha voz, ma-qui-nal-men-te.
Nada poderá correr mal, quando a timidez desfalece e a loucura apocessa os corpos, que numa inebriante dança por entre as colchas e lençóis baratos daquele quarto, não sei onde, escuro e tão claro ao mesmo tempo.
Pára!
Exclamou, uma voz no escuro.
Fez-se um eco surdo.
O meu sonho acabara, e tristemente eu descobria, que nunca estiveste onde eu estou.

(wake up. wake up for your life) I'm ready to believe


No meu sonho, o teu mundo contornava o meu, uma aproximação em câmera-lenta mas ao mesmo tempo delineava toques de assédio fogoso. Contornaste o meu pensamento nocturno, vezes e vezes sem conta.
Agora chega! É tempo de acordar e pousar os pés no chão. Dormi demasiado tempo a teu lado.

à terceira já não me enganas


É a tua voz que não me deixa de cantar em plenos sussurros, é o teu sorriso que me persegue para onde quer que vá, é as memórias do teu rosto que ilustram a minha mente, é a fatalidade de como as tuas palavras entoam junto à minha boca onde já sinto o paladar do teu beijo.
Como sem sentido se tratasse, esta correria infernal, esta fuga do escárnio de ti próprio que isola-me os sentidos que letalmente enche as minhas artérias... e o corpo sente, a mente sente. Pálida caiu na rua sem sentido, esquecida na tua boca, esquecida na tua mente, percorro somente as tuas artérias, a adrenalina que represento quando minuciosamente pensas como me hás-de conquistar. Não meu amor, nessa já não caiu.

empty space


Existe sempre um momento. Existe sempre um espaço. Existe sempre uma razão. Mas porque é que aqui vim parar? Estou sozinha e tenho medo.

stay with me


Perdida e esquecida, vagueio aí, no bosque escondido na noite fria, aqueço as minhas mãos e procuro na vastidão deserta o teu calor e compreensão. Poderei eu procurar o que nunca me deste? Fruto de ambição, querer o que nunca tive. Tacteio no escuro, o invisível. Não sei a quem dar a mão neste tormento de sonho. Pesadelo secalhar.
Estendo os braços em busca do vento, este cessou e deixou-me só, à beira do desgosto e da aflição.
Encosto-me junto à grande árvore e reconforto-me no chão, escutando o que de melhor a natureza me pode oferecer, o doce odor que brota do chão, as folhas secas acumuladas junto a mim... o meu acordar espanta-me. "És tu aí?" Sou... Espantada demais estou. Procuras-te a minha mão. "Vim para ficar contigo".

stuffs